Blog

Fotografia na Lezíria do Ribatejo 2020

By André Gonçalves, 10 de Maio, 2020

Em plena pandemia do COVID19, surge a oportunidade de escrever uma história com Fotografia na Lezíria do Ribatejo 2020. 

Por analogia ao impedimento de trabalhar com os nossos clientes, viemos para a Internet e em 30 dias concretizámos o objectivo de criar o www.proimageportugal.com. Um investimento pensado e criado pela equipa Pro Image Portugal (Sobre Nós). 

 

Desta forma, o nosso Blogue surge com a aspiração de contar as histórias de cada um dos locais por onde vamos passando… Um velho sonho que reaparece assim, dando lugar às maravilhosas histórias que vamos ouvindo, dos parceiros e clientes que vamos conhecendo e que deixam sempre uma marca em nós e na Pro Image Portugal. 

A todos estamos gratos e acreditem que a Pro Image Portugal acompanha e torce pelo seu sucesso. Até porque desde que começamos temos estado com os melhores!

 Antes de mais nada, é uma grande coincidência poder escrever o primeiro artigo precisamente do local do qual são as minhas origens. A princípio e por ordem do recolher não obrigatório acabei por fazer da Lezíria de Azambuja o meu refugio.

Com a minha Fujifilm lá fui fazer o registo fotográfico da Lezíria do Ribatejo. Nada neste local era novo para mim, mas a forma de olhá-lo, com certeza amadureceu com a idade. 

Éste é um local caraterizado por canais de água esverdiada, estradas de terra batida e vistas infinitas com aves a surgir e carpas e bardos aos saltos nas águas do Rio Tejo.  

Talvez tivesse 9, 10 ou 11 anos de vida quando comecei a percorrer as estradas e caminhos secretos da Lezíria com os meus amigos de bicicleta. Nos dias de hoje seria um quanto ao tanto questionável o que faziam crianças tão pequenas desacompanhadas por essas estradas. 

Mas na verdade. os tempos eram outros e para as crianças de uma pequena vila rural os perigos não eram significativos. Era uma liberdade concedida sob condições claras de responsabilidade. Cultivava-se a autonomia. Nunca em momento algum foi vadiagem! Mas obviamente só era possível pela segurança que os adultos acreditavam haver.  

A Lezíria perfila-se de frente para a Vila de Azambuja e têm um canal que se chama a Vala Real. Foi construida por ordem do Marquês de Pombal, iniciado no reinado de D. José e concluídas no tempo de D. Maria.

É um extenso canal que liga a vila de Azambuja ao Rio Tejo. É navegável numa extensão de 17 quilómetros, outrora por barcos de 30/35 toneladas (fragatas e barcos varinos), que procediam ao escoamento dos produtos da região, hoje somente por pequenas embarcações. Por esta altura, teriam anualmente navegado por estas águas do canal: 3000 barcos que transportariam 16.000 toneladas de carga e 18.000 viajantes.

Em pequeno já contemplava a beleza natural do local. Mas nunca percebi muito bem o que era realmente belo na Lezíria.  Era normal eu e os meus amigos normalmente a seguir ao almoço partia-mos nas nossas bicicletas da vila até à vala Real. Batíamos todos os Records de velocidade. Sim, para além de ser a descer éramos todos rapazes aventureiros e atletas. A ideia era sentir a adrenalina da velocidade nas descidas e no final ganhar terreno às subidas que iríamos fazer de seguida. E claramente havia sempre uma competição entre todos para ver quem era mais corajoso, mais rápido ou forte.

Se “tropeçou” na Pro Image Portugal ou já trabalhou connosco, acredite que torcemos sempre pelo seu sucesso; até porque, desde que começámos, temos estado com os melhores!

Primeiro que tudo é uma grande coincidência poder escrever o primeiro artigo deste blog, precisamente do meu local de origem. No início desta pandemia, e por ordem do recolher não obrigatório, acabei por fazer da Lezíria de Azambuja o meu refúgio. Um local onde encontrei um pouco de paz, no meio desta pandemia. 

Com a minha Fujifilm fiz o registo fotográfico da Lezíria do Ribatejo. Nada neste local é novo para mim, mas a forma de olhá-lo, com certeza amadureceu com a idade. 

Fotografia na Lezíria do Ribatejo 2020

Passo pelos canais de água esverdeada, estradas de terra batida e vistas infinitas, com aves a surgir no céu azul, carpas e bardos aos saltos nas águas do Rio Tejo. Vem-me à memória certos momentos da minha infância. 

Talvez tivesse 9, 10 ou 11 anos, quando comecei a percorrer as estradas e caminhos secretos da Lezíria,  com os meus amigos de bicicleta. Nos dias de hoje seria um quanto ao tanto questionável o que faziam crianças tão pequenas desacompanhadas por essas estradas. 

Na verdade, os tempos eram outros e, para as crianças de uma pequena vila rural, os perigos não eram significativos. Era uma liberdade concedida sob condições claras de responsabilidade. Cultivava-se a autonomia e nunca, em momento algum, foi vadiagem! Mas, obviamente, tal só era possível pela segurança que os adultos acreditavam haver.  

A Lezíria perfila-se de frente para a Vila de Azambuja e tem um canal que se chama  Vala Real. Foi construída por ordem do Marquês de Pombal.

É um extenso canal que liga a vila de Azambuja ao Rio Tejo. É navegável numa extensão de 17 quilómetros, outrora por barcos de 30/35 toneladas (fragatas e barcos varinos), que procediam ao escoamento dos produtos da região, hoje somente por pequenas embarcações. Por esta altura, teriam anualmente navegado por estas águas do canal: 3000 barcos que transportariam 16.000 toneladas de carga e 18.000 viajantes.

Em pequeno já contemplava a beleza natural do local. Mas nunca percebi muito bem o que era realmente belo na Lezíria.  Era normal eu e os meus amigos normalmente a seguir ao almoço partia-mos nas nossas bicicletas da vila até à vala Real. Batíamos todos os Records de velocidade. Sim, para além de ser a descer éramos todos rapazes aventureiros e atletas. A ideia era sentir a adrenalina da velocidade nas descidas e no final ganhar terreno às subidas que iríamos fazer de seguida. E claramente havia sempre uma competição entre todos para ver quem era mais corajoso, mais rápido ou forte. 

 Ao longo dos anos fomos arriscando cada vez mais. Havia uma prática muito conhecida pelos mais velhos que conseguiam pedalar à velocidade dos tratores, estes carregados de tomate.

Obviamente todos nós chegamos a fazê-lo. Vou confessar que sempre neguei esta prática mas fui no meu grupo um dos primeiro a arriscar fazê-lo.

 Passo a explicar o contraditório da responsabilidade. Esperávamos que os tratores passassem e desatávamos a pedalar. Talvez chegássemos aos 20 a 30km/h numa estrada plana. Tínhamos que ir agarrar o reboque do lado de dentro da estrada com a mão direita. Sempre na extremidade traseira do reboque para nunca ficar perto das rodas gigantes do trator. 

As ideias nesses tempos surgiam de forma muito rápida e nós queríamos a sensação de aventura. Já existiam as consolas de jogos mas isso não era hipótese para nós. Se não saíssemos de bicicleta, íamos para os saltos, fazer guerras de torrões de areia ou iamos jogar futebol para um dos campos de rua que havia.

Lembro-me que a determinados altura juntavam-se no ringue do GDA uns 40 tipos de diferentes idades para jogar futebol de rua.

 Eram jogos muito intensos e as regras eram claras: Gordo na baliza, dono da bola joga sempre, os mais novos esperavam pela vez e havia que mostrar coragem aos mais velhos para ganhar o seu respeito.

 Estas longas tardes ensinaram-me a maioria das fintas, a ser persistente e mais que tudo, forte. Era a lei da vida, e se eras como eu na época, um dos mais novos, tinhas que ser bravo e viver com respeito no meio dos matulões. 

Fotografia e Design de Cadernetas Personalizadas

A Lezíria de Azambuja ao que sei continua completamente cultivada de diferente Agriculturas. Teve uma perda muito grande pois existia uma alameda de palmeiras fantástica junto à Vala Real que desapareceu por motiva de praga.  

Mas no restante continua tão virgem como na minha infância. São poucos os que aproveitam este espaço natural fantástico. Mas mesmo assim ainda se encontram atletas a treinar canoagem na vala Real e alguns ciclistas a circular pelas estradas. 

Espero que estas memórias pessoais do local seja um pequeno contributo para que este local tão pouco explorado seja conhecido por mais pessoas. Mas enquanto não tiverem essa oportunidade aproveitem as imagens do artigo para conhecer um pouco mais deste Portugal, tão belo. 

Agradeço a vossa atenção e deixo-vos alguns apontamentos históricos da zona para os mais curiosos (em baixo). Para além disso deixo-vos um guia completo da zona, aqui. Esperemos que para além das fotografias tenham conseguido viver um pouco da minha história no local. 

  1. Azambuja ” A Origem do Concelho” 

A história da vila de Azambuja remonta a tempos remotos. De acordo com os historiadores, a localidade já existia na época romana, com o nome de Oleastrum, que significa “zambujeiro”. Com a invasão dos muçulmanos em 711 da era cristã, a vila foi ocupada pelos Árabes. Estes deram-lhe a designação de Azanbujâ, que significa “oliveira brava”.

Azambuja foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, que do termo da Azambuja fez doação em 1147 a D. Childe Rolim, filho do conde de Chester, como recompensa pelo heroísmo demonstrado no cerco de Lisboa. Era nessa altura designada por Vila Franca.

Outras informações clicar no Wikipédia

2. Vala Real – Azambuja

É um extenso canal que liga a vila de Azambuja ao Rio Tejo. É navegável numa extensão de 17 quilómetros, outrora por barcos de 30/35 toneladas (fragatas e barcos varinos), que procediam ao escoamento dos produtos da região, hoje somente por pequenas embarcações. Esta rede de canais foi construída por uma empresa de nome, Companhia dos Canais de Azambuja. Através de um despacho de Estado datado de 30 de Julho de 1839 e de outro de 1 de Maio de 1843, a Companhia era obrigada a construir um edifício para albergar as pessoas. 
Ficou diligenciado que a Vala se tornasse navegável em todas as estações do ano, desde a Foz do Canal, até à Ponte da Asseca, com uma carreira diária para passageiros, utilizando barcos a vapor ou puxados por bestas. Através de uma lei, datada de 30 de Novembro de 1844, o Estado confirmou a cedência à dita Companhia da propriedade da Vala Real de Azambuja com as respectivas águas e margens por um período de 40 anos. Em contrato de 19 de Julho de 1852, ficou estipulado que a Companhia dos Barcos a Vapor ficaria com a exclusividade da navegação por 15 anos. Por esta altura, teriam anualmente navegado por estas águas do canal: 3000 barcos que transportariam 16.000 toneladas de carga e 18.000 viajantes. 
 

Este teria sido o período áureo da estalagem e dos respectivos canais, que culminaria com a construção do Caminho de Ferro do Norte, iniciativa incrementada pelo Governo Regenerador de Fontes de Pereira de Melo, que mais uma vez pretendia aproximar Portugal à restante Europa já industrializada. Toda esta conjuntura, levou à promulgação do decreto de lei de 30 de Julho de 1857, que dispensava os serviços prestados pela Companhia dos Canais de Azambuja.

 
 

3. Aldeia Avieira – Azambuja

Na estrada do campo, encontra a determinada altura a indicação Lezirão. Desvie e conheça a comunidade de pescadores avieiros de Azambuja, que aqui chegaram no inicio do séc. XX, oriundos da Murtosa, Vieira de Leiria,  Ovar à procura de sustento pois as águas do Tejo eram fartas em pescado.

À semelhança de outras comunidades iniciam a sua vida, por estes lados, a viver nas bateiras, fixando-se depois junto às margens do rio construindo as famosas casas em palafita.

Com identidade própria, a cultura avieira é hoje candidata a Património Nacional, da qual o Município de Azambuja faz parte.

Outras curiosidades do concelho, aqui.

Quadro “O Porto”, Porto da Aldeia da Palhota.

Um pedaço de rio cheio de histórias que a partir de agora poderá  embelezar um espaço da sua casa. Se acha que têm um sitio confortável e simpático disponível na sua casa carrega não perca tempo e carregue no botão